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| Buenos Aires se iba durmiendo Y vos la fotografiabas. Yo caminé y sin buscarlo Vi la luz de tu mirada. Una esquina en calle Florida, La excusa: un café y hablar. No importó en que idioma, Vos me invitaste a soñar.
Buenos Aires… Buenos Aires se llenaba de tu risa. Buenos Aires despertaba con tu voz. Todo cambió en cuatro días. Hoy no hay vida en Buenos Aires Sin tu amor…
La noche se vistió de fiesta. El universo todo conspiró. Vos y yo bailando en nuestro mundo; Un mundo donde nacía el amor. Luego, al llegar a tu hotel, Fue llegar un poco al cielo; Con tus besos y caricias, Me eché a volar en tu vuelo.
Buenos Aires… Buenos Aires se llenaba de tu risa. Buenos Aires despertaba con tu voz. Todo cambió en cuatro días. Hoy no hay vida en Buenos Aires Sin tu amor…
No nos separamos más. Aún siento tu abrazo al dormir. Yo te mostré mi ciudad, Vos, tu sentir y vivir. Algún día volverás; Déjame creerlo así… Y este amor será verdad, No solo un recuerdo en mí.
Buenos Aires… Buenos Aires se llenaba de tu risa. Buenos Aires despertaba con tu voz. Todo cambió en cuatro días. Hoy no hay vida en Buenos Aires Sin tu amor…
Todo cambió en cuatro días. Hoy no hay vida en Buenos Aires Sin tu amor…
Gastohn © 2002 |
| Filha ilegítima e desprezada, Evita tornou-se poderosa graças à sua determinação feroz. Sua mais cara e realizada promessa: ajudar os desvalidos.
Por Alicia Dujovne Ortiz Tradução de Carolina Massuia de Paula
Só me casarei com um príncipe ou um presidente", dizia Maria Eva Duarte quando vivia em Los Toldos, sua cidade natal no meio do pampa. Desprezada por todos como filha ilegítima, a criança almejava um futuro radiante como ouvia nas novelas de rádio, lia nas revistas de cinema e via nos filmes de Hollywood. O pai, don Juan Duarte, proprietário de terras, havia literalmente comprado sua mãe, a bela Juana Ibarguren, em troca de um jumento e uma carroça. Da união nasceram quatro meninas e um menino. Evita, a caçula, em 7 de maio de 1919. Ela mal conheceu o pai, que em seguida regressou ao católico lar onde o esperavam a esposa e filhos legítimos.
Dona Juana enfrentou sozinha as vicissitudes e, quando a caçula Evita estava com 11 anos, mudou-se com os filhos para Junín, uma vila na mesma província de Buenos Aires. O preconceito, porém, era igual. Os colegas de escola, por exemplo, não tinham permissão de cortejar Evita, em razão da origem. Não obstante, suas três irmãs mais velhas progrediram socialmente. Encontraram trabalho e fizeram bons casamentos.
Restaram os rebeldes: Juancito e Eva, a sonhadora decidida a tentar a vida no mundo do espetáculo. Humilhações demais lhe renderam um caráter duplamente genioso e uma vontade indomável. Aos 15 anos, em um dia 2 de janeiro de 1935, ela partiu para a capital, Buenos Aires. Apelidada de "Paris da América do Sul", a cidade fora arruinada pela crise mundial de 1929-30 e dependia das exportações de carne e de trigo, Eva, pálida e morena, batia incansavelmente às portas dos teatros. Seu único trunfo, a obstinação. Fora a teimosia que se tornou lendária, ela não tinha grande coisa a oferecer. Sem real talento artístico nem extraordinária beleza, ela era ignorante, arredia. Às humilhações vividas, somaram-se outras. Histórias bastante banais: diretores que exerciam a sedução, amantes de algumas horas. À mãe e às irmãs, que lhe suplicavam a volta para Junín, respondia sempre: "Primeiro, a celebridade".
De fato, em 1939, ela conseguiu se impor como atriz radiofônica. Encarnava as heroínas chorosas de novelas semelhantes às que haviam forjado sua ambição.
Esses folhetins de retórica nacionalista pareciam prefigurar as idéias do movimento político do qual Evita seria a grande estrela. Naquele momento, já pairavam no ar. Em 4 de junho de 1943, um golpe de Estado instaurou no país um governo militar, de que participava um grupo de oficiais, o GOU (Grupo de Oficiais Unidos), defensor de teses próximas ao nazismo. Entre eles, estava um líder de influência crescente, egresso de uma estada na Itália de Mussolini: o coronel Juan Domingo Perón.
Olhos só para ela Evita conheceu, então, com um membro do GOU, o coronel Aníbal Imbert. Nomeado para a direção dos Correios e Telecomunicações, o militar linha-dura controlava o conteúdo das emissões radiofônicas: era a hora dos valores "sadios" e "nacionais". Evita, sempre alerta e rápida, tornou-se amante de Imbert. Uma série de folhetins de caráter histórico foi sua recompensa: ela interpretava Catarina da Rússia ou Elisabete da Inglaterra, como se, inconscientemente, se preparasse para tornar-se rainha.
Em 15 de janeiro de 1944, um tremor de terra arrasou a cidade de San Juan, na região de Cuyo, não longe do Chile. Na qualidade de secretário do Ministério do Trabalho, o coronel Perón centralizou a ajuda às vítimas. E as pessoas ligadas ao mundo das artes organizaram um grande espetáculo beneficente em prol dos desabrigados, em 22 de janeiro, no estádio Luna Park. Nessa manhã, Perón percorreu a rua Florida, cercado por atrizes que agitavam cofrinhos: "Um trocado para os órfãos de San Juan, por favor!". Evita, no frescor de seus 24 anos, estava entre elas, ainda de cabelos escuros e sempre pálida, mas tão ardente no pregão que o nobre coronel de 48 anos talvez a tenha notado. O encontro decisivo, porém, aconteceu à noite, na festa. Enquanto grandes vedetes da música se sucediam no palco, Evita conseguiu se instalar ao lado de Perón. Alguns instantes mais tarde o coronel só tinha olhos para ela.
Juan Domingo Perón era, também, filho ilegítimo. Tornou-se um adulto esperto, maquiavélico, envolvente. Como todo sedutor, refletia o desejo dos outros fazendo com que se sentissem únicos. Sua primeira mulher havia morrido. Incapaz de amar, ele, entretanto, encantou-se pela pequena atriz que o escutava atentamente e que encontrava naquele discurso a explicação para sua própria vida: o inimigo era a oligarquia! Evita bebia as palavras de Perón e assumiu as idéias do coronel com um fanatismo que parecia o do amor.
Que há de mais fascinante, para um líder em plena ascensão, que encontrar uma mulher pronta a encarnar sua causa com uma convicção e um fervor ainda maiores? A Perón, Evita aparecia como uma moça pura, apaixonada, maleável, fácil de manipular e - última virtude, mas não das menores - estrela do rádio: ele aprendera com o fascismo italiano que o poder vinha dos sindicatos e do rádio. Quanto a Evita, enxergava em Perón o pai que jamais tivera, o homem de poder que sempre procurara - e que a ajudaria em sua carreira artística -, o amante cuja indolência se combinava com a frieza, e o gênio político que sabia pôr em palavras seu sentimento de revolta. Do fascismo ela pouco sabia, mas sim que Perón era contra os proprietários de terra que, a exemplo de Juan Duarte, compravam mulheres e as abandonavam com seus filhos ilegítimos. Era o bastante. Rapidamente, sua relação tornou-se pública. Perón adorava chocar, desafiar os "bem pensantes". Divertia-se ao apresentar, da maneira mais oficial, sua amante.
Intuição de causar espanto Quando os colegas de armas diziam o quanto era malvisto por ter uma relação com uma atriz, ele respondia: "O que vocês queriam? Que eu tivesse uma relação com um ator?". Sua popularidade era crescente; não por acaso escolhera o cargo no Ministério do Trabalho - para estar próximo dos trabalhadores. Demagogo, ele os cobria de favores. Ministro da Guerra, depois vice-presidente da Argentina, ele conservava esse posto aparentemente obscuro. Quando o exército, enciumado, se valeu de um pretexto fútil para encerrar Perón na ilha de Martín Garcia, no meio do rio da Prata, foi o povo agradecido que, em 17 de outubro de 1945, saiu maciçamente às ruas para exigir a libertação de seu bem-amado líder. Quatro dias mais tarde, Perón se casou com Evita. E em 4 de junho de 1946, promovido a general, ele assumiu a presidência da República, eleito por uma esmagadora maioria de votos.
Desde seu encontro com Perón, Evita se interessou cada vez mais pela política e revelou uma intuição que espantou o general. Sem ter, ainda, abandonado de vez a carreira de atriz, decidiu assumir o papel de uma benfeitora adorada pelo povo, em um filme intitulado La Pródiga, nunca exibido publicamente. Era um papel profético.
Sua personagem era chamada "a Senhora" ou "a Mãe dos Necessitados". Em pouco tempo, assim seria, na realidade. Coincidência e premonição, vontade e destino sempre se cruzaram na história de Evita.
Com os acontecimentos que conduziram à revolta popular de 17 de outubro, completou-se a virada. Era imperativo que a mulher do presidente deixasse o mundo do espetáculo. Mas, sendo o peronismo uma representação, tudo a levava a fazer sua estréia no mundo do espetáculo da política: a ambição de poder - nascida de sua necessidade de vingança -, a tendência para a representação (partilhada por Perón) e a paixão sincera. A primeira das simulações havia sido a descoloração dos cabelos. Em 1944, para encarnar determinado papel, Evita tinha se tornado loira. Um loiro de mulher que ascendeu, que a fazia escapar da maldição de Los Toldos, da avó Petrona em seu rancho de miséria: na Argentina da época, o loiro se confundia com status. Morena, ela havia sido insignificante. Loira, tornava-se uma criatura luminosa, irreal, na qual a propaganda peronista iria se apoiar e a quem faria representar o papel de santa ou de fada. Outra simulação era sua identidade civil.
Investida de elegância Ela falsificou seus documentos, pois, mesmo ao casar com o homem mais poderoso da nação, era obrigada a mentir. Substituiu a certidão de nascimento, em que aparecia como Eva Maria Ibarguren, nascida em Los Toldos em 1919, por outra, com o nome de Maria Eva Duarte, nascida em Junín, em 1923. Se mantivesse a primeira data, não obteria a "legitimidade", pois naquela ocasião a esposa de Juan Duarte ainda era viva. Os acertos foram feitos porque de outra forma Evita jamais poderia esposar um coronel com pretensões presidenciais.
Em 17 de outubro, o povo havia saído à rua para libertar seu homem. Até então, ela não havia ainda compreendido o papel que Perón e ela mesma iriam representar na história do país. Foi o povo que levou Perón a tornar-se o líder Perón. Em determinados momentos, ele mesmo, depois de tanto fazer para ser adorado pelo povo, esteve a ponto de abandonar tudo. Mas os argentinos gritavam seu nome na praça de Maio e Perón teve de responder ao chamado.
Nesse momento, Evita, compreendendo de súbito a importância da situação - sensibilidade à flor da pele - sentiu um imenso reconhecimento. Contraiu "uma dívida" pessoal, dizia, com o homem que a havia "purificado", ao escolhê-la, e com o povo que, ao salvar esse homem, conseguiu também a redenção dela própria. Daí por diante, essa mulher obstinada e voluntariosa só teria uma idéia na cabeça: pagar. Com uma contribuição particular, intransferível.
Em 1947, ela foi convidada oficialmente pelos governos espanhol, italiano, francês e suíço. Essa viagem pela Europa, como um percurso iniciático, durou três meses. Na volta, transformada, Evita apareceu investida de uma elegância irretocável. As senhoras oligarcas que tanto haviam rido dela por sua falta de gosto e por suas toaletes berrantes só podiam agora admirar a Evita em trajes de Dior. Os erros de gramática, porém, permaneceram.
Há suspeitas de que nessa mesma viagem ela teria tido a ocasião de depositar nos bancos suíços o fabuloso tesouro de Martin Bormann, supostamente nas mãos de Perón, que acolheu em Buenos Aires milhares de criminosos de guerra nazistas. Há muitas pistas, mas nenhuma concludente, até agora. Assim como não se saberá nunca, sem dúvida, se naquela ocasião Evita soube o nome da doença de que morreria em 1952: um câncer de útero, como acontecera com a primeira mulher de Perón. De qualquer forma, desde sua volta ela foi não somente a mais bem vestida das mulheres como também a mais decidida no rechaço aos médicos. Decidiu não se tratar.
A terrível agonia A partir de 1948, ela trabalhou 18 horas por dia, quase sem se alimentar. Iniciou uma corrida contra a morte. Em uma garagem adaptada da residência presidencial, juntou montanhas de doações em espécie (alimentos, roupas, acessórios) que lhe haviam feito os sindicatos para que distribuísse aos mais necessitados. Criou a Fundação Eva Perón, gigantesca organização antiburocrática que respondia às necessidades de todos aqueles para quem é sempre tarde demais. Ela recebia 12 mil cartas por dia, com os mais diversos pedidos, de cobertores a bolas de futebol. Os remetentes eram chamados a seu escritório na Secretaria do Ministério do Trabalho, onde Perón havia começado seduzindo os trabalhadores. Centenas de miseráveis se comprimiam cada dia nesse lugar lendário. Evita os escutava e resolvia sua situação com agudo senso prático.
Sua jornada de trabalho se estendia das 7 da manhã às 2 ou 3 da madrugada, freqüentemente mais. Doar tornou-se sua razão de viver. Dedicava-se aos humildes a ponto de apagar toda a distância entre ela e eles. Fusão perfeita, perda da identidade bem-aventurada que a conduzia a se cobrir de diamantes "para agradar aos pobres", já que eles se sentiam ricos somente em vê-la. Se ninguém podia penetrar esse mistério de uma comunhão quase mística, Perón acreditava poder tirar proveito dela, afinal sua mulher agia em nome dele, que a exaltava em seus discursos, até fazer dela um ser quase divino embora frisasse que "era apenas uma mulher".
Ao mesmo tempo, a mulher capaz de sacrificar sua vida era, também, um ser sedento de poder. Desde 1946, Evita tinha criado sua própria equipe, constituída por ministros fiéis. Fundou o Partido Peronista Feminino, que dominava com a mesma mão-de-ferro com que controlava e amordaçava a imprensa e o mundo do espetáculo. Na máquina de propaganda e repressão do peronismo, ela era um instrumento, quando não a instigadora. E as mulheres a quem Evita dera o direito de voto em 1947 eram justamente o setor do peronismo mais ativo em suas mãos e que ela fanatizara e vigiava com um ardor de madre suxperiora.
A mulher autoritária, senão grosseira, diante dos funcionários do Partido, mas submissa diante de Perón (ao menos em público), vivia um feminismo visceral expresso em seus atos mais que em suas palavras - sempre emprestadas dos burocratas que redigiam seus discursos. Um feminismo que Perón não havia previsto. Daí o fato de ele enciumar-se de sua esposa, que ele considerava seu "ombro", mas que brilhava cada vez mais com luz própria.
Esse homem labiríntico não mostrou claramente seu ciúme a não ser em raras ocasiões. Bom caçador da Patagônia, ele construía suas armadilhas, fingindo querer afastar Evita do trabalho desgastante, insistindo para que ela se cuidasse. Sabia que bastava ele querer detê-la para que Evita, redobrando sua vitalidade suicida, trabalhasse ainda mais. O último ato desse drama de trapaças e simulações foi representado em público, diante de uma multidão de 1 milhão de pessoas reunidas para proclamar a nova chamada: "Perón presidente, Evita vice-presidente!". Foi em 2 de agosto. As eleições se aproximavam. Perón de início recusou-se a aceitar a reeleição, algo que no entanto almejava. Em seguida, não disse uma palavra quando a CGT (Confederação Geral do Trabalho) propôs a candidatura de Evita à vice-presidência. Quanto a esta, embora negasse ter ambições pessoais, desejava esse posto com ardor. Até então, ela jamais havia possuído um nome que fosse seu, nem uma nomeação formal. Seu poder era imenso, mas dependia inteiramente do de Perón.
Então, nesse 2 de agosto, Evita não sabia se Perón queria que ela se tornasse vice-presidente. Ela esperava, o povo insistia para que ela aceitasse, ela balbuciava uma negativa que não fazia mais que exaltar o fervor da multidão. Enfim chegou a hora da verdade. Diante desse diálogo amoroso entre sua mulher e o povo, do qual ele se sentia excluído, Perón agarrou o braço de Evita e lhe disse: "Basta". Ela já estava gravemente doente. Alguns dias mais tarde ela foi ao rádio para dizer que seu "coração de humilde mulher argentina" a impedia de aceitar a honrosa oferta.
Recolheu-se ao leito, para começar a morrer. Durante sua longa agonia, esteve cercada apenas de uns poucos amigos e da mãe, das irmãs e do irmão Juancito Duarte, que elevara a secretário de Perón, e que este faria com que "se suicidasse" após a morte de Evita, por conta, diz-se, de um tesouro fantástico depositado em conta bancária na Suíça.
Houve uma tentativa de esconder do povo a doença de sua fada. Após uma operação de útero realizada tarde demais, Evita foi instalada em um pequeno quarto da residência presidencial, longe do de Perón. Ela agonizava, extremamente debilitada, com um peso não superior aos 30 quilos e vítima de dores atrozes. E ainda assim, após uma revolta militar rapidamente sufocada, mas que anunciava a inevitável queda do peronismo, Evita encontrou forças para negociar, do seu leito, a compra de metralhadoras destinadas a armar o povo.
Armas que Perón não quis distribuir entre os trabalhadores quando eclodiu a Revolución Libertadora que o derrubou, em 1955. Naquele momento, Evita já estava morta.
Há quem opine que essa revolução não aconteceria se ela estivesse viva. Afinal, dizia: "O inimigo da oligarquia não é ele, sou eu". Ela morreu em 26 de julho de 1952, com a simbólica idade de 33 anos. Durante 15 dias, o povo em lágrimas desfilou diante de seu caixão coberto de cristal. Para alguns, uma santa, para outros, uma populista demagoga que asfixiou o país. Extremos à parte, Evita seguiu indestrutível, na memória coletiva. Em parte por causa do mito que ela cuidadosamente criou, em parte por causa de seu próprio corpo que, depois de inúmeros percalços, finalmente repousou em Buenos Aires, no cemitério da Ricoleta, sem epitáfio. Poderíamos propor este: "Sua vida contraditória nos impede sempre de crer nos bons e nos maus".
CRONOLOGIA 1919 Em 7 de maio nasce, em Los Toldos, Maria Eva , a caçula de don Juan Duarte e Juana Ibarguren 1935 Em 2 de janeiro, com 15 anos de idade, Evita parte sozinha para Buenos Aires 1944 Em 22 de janeiro ela conhece Juan Domingo Perón, com quem se casa no ano seguinte 1946 Funda o Partido Peronista Feminino 1948 Cria a Fundação Eva Perón, gigantesca organização de ajuda aos necessitados e passa a trabalhar quase 20 horas por dia 1952 Morre, vítima de câncer de útero
FONTE: UOL
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| A mí se me hace cuento que nació Buenos Aires; la juzgo tan eterna, como el agua o el aire... Jorge Luis Borges
Hubo una vez un loco al que se le ocurrió soñar una ciudad en donde se iba acabando el Mundo. Y se empeñó en fundarla en aquel lugar, que quedaba absolutamente alejado de todo; hasta parecía que Dios lo había olvidado en el proceso de creación de la Tierra; ya que no se había esforzado en darle ninguna característica especial a su geografía. Aquel paraje no tenía montañas, ni lagos, ni inmensos bosques verdes que lo asemejaran a ningún paraíso conocido; el lugar era apenas un fangoso suelo, siempre humedecido por un río turbio color rojizo; ni siquiera era capaz de poseer aguas cristalinas... Santa María de los Buenos Ayres parecía estar predestinada a no existir, ya que tuvo que ser fundada dos veces. Nada resultaba interesante por aquellos lares; no había promesas de piedras preciosas, ni ninguna mítica El Dorado cerca. Era apenas una pequeña aldea, que serviría de reposo a aquellos que se llevaban a España los metales preciosos de lugares sí importantes como el Alto Perú. Qué buena suerte parecía ser esa, estar a orillas del Río por el que saldría la Plata... Poco a poco, el caserío pasó a ser un poblado. El hogar ideal para traficantes y fugitivos; aquellos que huían de las coronas española, francesa o inglesa hallaban en aquel sitio perdido un buen paraje para esconderse y donde difícilmente serían encontrados. ¿Quién querría buscarlos en donde no había nada? Pero de aquella mezcla de Sinvergüenzas y de notables Dones Nadie salieron los primeros que se atrevieron a soñarla importante, a imaginarla grande. Fue líder del movimiento independentista en el recóndito Cono Sur y más tarde, ya en su adolescencia de pequeña ciudad, se convirtió en la cabeza de una nueva Nación. Nación que tomaría su nombre de aquel Río pantanoso por el que pasaba la preciada carga: el Argentum Plata, pero en Latín. Y como siempre, el gran empuje lo dio el puerto; tan importante fue, que hasta sus habitantes serían conocidos en el mundo todo como Porteños. Es que los barcos ya no partían hacia el Viejo Continente con cargas traídas de lejanos países; la Nueva Tierra había encontrado su propia riqueza. Se rumoreaba que en el patio de atrás parecía que estaba construyéndose el granero del mundo. Entonces, las embarcaciones que llegaban a sus costas se fueron convirtiendo en más y más grandes; y en ellas fue que llegaron los primeros inmigrantes, verdaderos fundadores de mi ciudad querida. Las promesas de riqueza y futuro esplendoroso, hicieron que el Mundo notara su existencia, y fueran una esperanzadora tentación para millones de italianos, españoles, judíos, alemanes y un sinfín de pueblos empobrecidos, que a medida que iban llegando, y sin quererlo siquiera, fueron transformando su fisonomía, sus costumbres y hasta su modo particular de pronunciar el castellano.
Fue entonces que quiso olvidar su pasado de barro y llamó a los grandes arquitectos y paisajistas del mundo para que la glorificaran y para que le diseñaran modelos exclusivos según dictaba la última moda; ya no quería permanecer en silencio. Ya no quería pasar inadvertida. Descaradamente se vistió de lujosos palacios y anchas avenidas; se emperifolló con verdes parques y con gloriosas costaneras. Hasta quiso soñarse en otro continente...
Pero la melancolía de la Pampa solitaria en la que había nacido no quiso partir cuando los gauchos dejaron de cabalgar por sus calles; por el contrario, ella se hizo más profunda con la tristeza de esos inmigrantes que nunca dejarían de añorar sus tierras.
Y así, la ciudad predestinada a nunca existir, comenzó a forjar su propia identidad.
En la periferia, el suburbio, el arrabal; fue parida Buenos Aires. Entre peleas de malevos y prostitutas importadas; los que habían recorrido miles de kilómetros para amontonarse en las míseras piezas de los conventillos del Sur, no estaban dispuestos a renunciar a la cultura y costumbres que traían consigo; así como no habían renunciado a sus sueños al embarcarse hacia lo desconocido. Entonces, sus calles y sus esquinas jugaron a ser Génova y Madrid y París... Pero por más que lo intentara, iba siendo cada vez más ella misma y no esas otras; ciudades distantes. Y aunque de esos hijos adoptivos que un día llegaron para nunca partir; nacimos los primeros hijos naturales de la pujante Ciudad, nosotros también crecimos mirando hacia el otro lado del mar, añorando lo que no se tenía. Es que Ella, hija guacha, casi ilegítima, sentía la necesidad dolorosa y desesperante de ser aceptada por Tierras con nombres llenos de historia, rebosantes de fama. Esa melancolía constante, fue grabándose en sus rincones, en sus piedras y en su aire. Podía oírse en los bandoneones que lloraban sus penas en las noches de los prostíbulos arrabaleros; allí donde todos se mezclaban sin importar si eran criollos, gallegos, turcos o rusos. Nada importante era de donde traían la tristeza; si desde la Tierra Adentro o desde algún Mar Foráneo. Para todos, el consuelo era el mismo: un poco de amor y dos piezas de baile, comprados por un par de míseros pesos. Y así, de a poco, las músicas traídas de la Vieja Europa y la heredada de los olvidados esclavos africanos, se fueron fusionando para dar lugar a una canción ciudadana, de notas propias; y, como sin quererlo, surgió un sonido único, con un tono inconfundible; era mezcla de lamento, sensualidad, pena, deseo, nostalgia y machismo. Y fue llamada: Tango. Blasfemo al comienzo y motivo de orgullo después; sin dudas, él sintetizaba el sentir y el modo de pensar de todo un pueblo. Y con los años se convertiría en el embajador de la esencia de mi Ciudad por el mundo. Él sería su Alma.
Es que Buenos Aires tiene: ese... que sé yo, ¿viste? Difícilmente, quién nunca ha estado en ella pueda imaginarla y ciertamente quién no la ha padecido, es incapaz de entenderla y mucho menos de amarla. A veces me preguntan, de ella, qué es lo que tanto extraño, pero aunque me esfuerce, resulta imposible de describir lo que siento. ¿Cómo reducís a simples palabras algo casi impalpable pero que se capta por todos y cada uno de tus sentidos? ¿Cómo explicás las tumultuosas tardes de la calle Florida; la orgullosa pobreza del popular La Boca; el pasado glorioso de los adoquines de San Telmo; o la impertinente presencia de los palacetes del Barrio Norte? Quien nunca lo ha visto con sus propios ojos, difícilmente pueda imaginar nuestras tardes de charlas interminables en los cafetines copiados de la usanza europea, pero que, al final de cuentas, se han convertido en una estampa típica de esta Ciudad. Es que si nunca oyó a dos porteños arreglar el mundo desde la mesa de un bar, explayando sus conocimientos en política, economía o deportes, no sabe lo que es un porteño. Mucho menos si aún no lo ha visto un domingo cualquiera ir o volver de la Bombonera o el Estadio Monumental vistiendo orgulloso la camiseta de Boca Juniors o de River Plate, según corresponda a su fanatismo, o un poco, quizá, a su nivel social. Si nunca ha caminado a las dos de la madrugada por la siempre despierta Av. Corrientes (la calle que se soñó Broadway) no puede anticipar lo que se siente al ver el Obelisco erguirse insolente entre los autos que vienen circulando por ella; o al observarlo desde la distancia, con su blanca figura rectilínea recortándose justo en el medio de la fabulosa Av. 9 de Julio; que no importa si es o no la más ancha del mundo, sin lugar a dudas es hipnotizante y única. Así como si no se tuvo oportunidad de oír un tango cantado por la voz quebrada de un viejo devenido a malevo en la afanosa caza de monedas de cualquier domingo en Plaza Dorrego, nunca se oyó un verdadero tango. Es que al escucharlo rodeado de antigüedades, farolitos y calles empedradas, mágicamente somos transportados al comienzo de todo. Son tantas las cosas que no se pueden transmitir...
¿Cómo explicás la viveza criolla que se cuela en un tren, y se ahorra esa guita para apostar a los burros? ¿O la experiencia única que representa viajar en sus colectivos multicolores, nacidos de uno de los tantos tropiezos económicos del país que comanda? ¿O la nueva bohemia de un Palermo Viejo que, empeñado en no morir, ha logrado reinventarse a si mismo? ¿O el conquistador aroma que surge cada mañana de sus panaderías mientras elaboran las facturas, manjar infaltable de cualquier desayuno? ¿Y cómo hacés entender que el mismísimo Mate más que una infusión es una excusa para profundizar amistades? Muchos de los que llegan a Buenos Aires por primera vez creen que todo se reduce a Gardel o Evita o el Ché, pero eso es solo el comienzo. La punta de un iceberg prácticamente infinito. Porque fue la ciudad y sus circunstancias que los hizo crecer hasta ser quienes fueron. Fue en el popular Abasto que el inmigrante francés soñó con cantarle al mundo; en la Estación de Retiro que la chica pobre recién llegada del interior se atrevió a querer ser la mujer más influyente de su época; y fue en su Facultad de Medicina que el joven de familia bien comenzó a planear sus viajes revolucionarios contra las injusticias de siempre. Pero, así como ellos, hubo miles de seres; unos menos anónimos que otros, que también fueron moldeando su idiosincrasia, su modo peculiar de enfrentar la vida. Cientos de artistas llenos de bohemia han deambulado siempre por sus noches, inundándolas de literatura, de teatro y de música. En un principio, todo se reducía al centro y allí fue que se vistió de gala con el majestuoso Teatro Colón; y, en esos rincones céntricos, Alfonsina escribió sus dolorosos poemas y Lola Mora esculpió sus anhelos de amor; ambas desafiando al machismo de antaño. Pero luego, esa corriente de vida fue expandiéndose hacia los ciento un barrios, otorgándole a cada uno su espíritu inconfundible. Y fue así, que Borges amó Palermo y le dedicó páginas y páginas a su simpleza y tranquilidad. Y Quinquela quiso que La Boca tuviera un toque único y enmarcó la herencia multicolor de los inmigrantes genoveses. Y Homero Mansi inmortalizó el barrio y la esquina de Boedo y San Juan, plasmándolos en la letra de sus tangos. También quisieron hacerse oír Flores, Belgrano, Caballito...
Es que cada rincón tiene cientos de historias para contar. Recoleta y su Cementerio, muestras claras de su opulencia y su gloria. La City, testigo de los vaivenes de una economía que no se deja dominar. Los barrios del Sur hoy reviven de a poco, escondiendo huellas de miserias y pestes. La Casa Rosada; el Cabildo; el Congreso... La Plaza de Mayo, escenario privilegiado de la historia desde su Génesis mismo; desde ser la plaza del Fuerte, pasando por la Revolución del 25 de Mayo; por las multitudes de cabecitas negras y descamisados que la llenaron para honrar sus tardes Peronistas; hasta llegar a los dolorosos reclamos por los desaparecidos en las abominables dictaduras militares.
Mi Buenos Aires Querido, cuando yo te vuelva a ver no habrá más pena, ni olvido... Carlos Gardel
Cuánto te extraño, Buenos Aires. Cuánto necesito volver a andar por tus calles. Ver nuevamente tu gris. Sentir tus lloviznas invernales helándome la piel. Qué profundo es el dolor de saberte lejos, pero cuán grande es la alegría cada vez que regreso. Es que para mí sos como mi Madre protectora, que un día de rebeldía decidí dejar atrás para salir a conquistar el mundo; y como todo hijo orgulloso soporto lo insoportable, para que no me veas volver vencido.
Como la mayoría de los que de tu vientre nacimos, yo no supe apreciarte, ni sabía lo que eras hasta que ya no te tuve. Como miles de mis hermanos, quise desandar el camino recorrido por nuestros abuelos y, de cierta manera, repetir su historia. Pero los tiempos han cambiado y ya no se parte para siempre; ni tampoco se encuentran Madres Adoptivas tan bien dispuestas como vos supiste ser.
Yo sé que siempre vas a tener los brazos abiertos para recibirme. Porque el amor de Madre no muere, como nunca morirá mi amor de Hijo. Porque cada vez que he vuelto y he partido nuevamente, he visto tu gesto de resignación pero también de comprensión. Y paradójicamente, en cada nuevo viaje, en cada nuevo suelo que piso, aprendo a amarte y a entenderte un poco más. Los Hijos siempre soñamos a nuestros padres perfectos y a medida que vamos creciendo comenzamos a notar sus defectos. Y no, no sos perfecta... Pero son tus imperfecciones lo que hoy más extraño. Porque la sangre pesa más que el agua, dicen; y como no podía ser de otra manera, veo en mi forma de ser y sentir, el resumen perfecto de lo que vos misma sos. No creerías si te cuento lo que más añoro. Porque son las cosas más simples, las más triviales; las que uno casi no nota, porque las realiza de un modo totalmente automático y sin prestarles demasiada atención. Extraño... tus mañanas frías tomado mate a sorbitos con facturas calientes, tus torta fritas caseras en las tardes de lluvia. Extraño tus plazas capaces de darme soledad para pensar en silencio. Extraño tus calles rectas extendiéndose hasta donde no alcanza la vista. Extraño tu modo particular de vivir la amistad. La excusa del café. Extraño tu vida cosmopolita Open 24 hours. Y tu capacidad de amar por igual a todos tus hijos, sin importar raza, religión, sexualidad o nivel social. Extraño tu aire eterno de Clase Media. Tu modo romántico de ver las cosas y tu ansiedad inmortal por superarte.
Hace poco tiempo alguien me dijo: Sos un Tango en alusión a mi espíritu artístico y melancólico. Haya sido cual fuera la intención de esa persona, no logró sino provocarme orgullo con su comentario; porque cuanto más uno ama a sus padres y sus orígenes, más quiere aproximarse a ellos. Y yo te amo tanto... aunque no te lo dije; esas vergüenzas tontas que tenemos los hijos.
Sé que el día que vuelva, te encontraré como siempre: esperando tranquila... Tal vez hagas de cuenta que no ha pasado nada; que apenas has notado mi ausencia en este tiempo y actuarás normalmente como si acabaras de verme; me ofrecerás alfajores y los amigos de siempre, es que como buena Madre conocés perfectamente mis debilidades. Y no harás ninguna pregunta para no incomodarme. Me mirarás en silencio mientras fingís hacer algo y desearás muy profundo que no vuelva a marcharme. Que te dé una caricia y te deje mimarme. Yo aprovecharé al máximo el tiempo que te tenga; disfrutaré tus rincones, sufriré con tus penas. Andaré por Lavalle, Santa Fe, Córdoba; Puerto Madero... Reiré de las boludeces que mis amigos me cuenten, con palabras lunfardas y picardía porteña. Caminaré despacio como si no existiera el tiempo y al detenerme en cada esquina reviviré algún momento. Saldré del subte en Corrientes a la altura de Florida e iré por la peatonal hasta donde termina. Allí está Plaza San Martín, de todas, mi preferida. La recorreré un poco como si no la conociera y bajo la sombra fresca del viejo Ombú, intentando ver la hora en La Torre de los Ingleses, me toparé con la Bandera, orgullosa, flameando. Celeste, Blanco, Celeste; mis colores sagrados. Detendré ese instante e intentaré guardarlo. Será nuestro secreto; otro fugaz secreto que tu historia irá olvidando.
Y caerá la noche, se encenderán los neones, los carteles, las luces. Tu gente linda seguirá despierta sin importar la hora. Comenzarás con los cines, los teatros, el Luna Park, los bares. Librerías abiertas; ciento un mil restauranes. Maxi-kioscos, boliches, canillitas y porteros te acompañarán como siempre en tus madrugadas de insomnio. Para mí será mucho, ya no te sigo el ritmo. Aunque tal vez lo intente la noche de algún sábado, para esperar los cañoncitos rellenos de dulce de leche y acompañarlos con unos amargos y el Clarín del domingo. De solo pensar en eso se me alegra la vida... y estoy lejos, lo sé, pero volveré un día. Mientras tanto dejame que siga así, planificando nuestro reencuentro mágico. Dejame que sueñe... Hoy quiero soñar...
Me acostaré escuchando a Piazzolla tocar algún tango herido que me invite a volar. Quiero soñar que uno de tus gorriones se escapó de algún parque y ha venido a buscarme para llevarme hasta vos. Al llegar, ver la luna rodando por Callao; oír a ese piantao lindo cantándole al amor. Desde el cielo ver tu figura de gigante recostada a la vera de ese río rojizo de una sola orilla, jugando con tus pies en sus aguas de lama y tu cabellera despeinada por el Pampero que pasa. Quiero reír comparando tus comienzos de nada; de cuando eras de adobe, de madera y de paja.
Mirá adonde llegaste, a ser Reina del Plata. Aunque para mí seguís siendo la que siempre has sido, la de los inmigrantes que luchó en su camino. Y te llamaré como siempre:
Mi Buenos Aires querido...
Dedico estas palabras a mi Madre y, por supuesto, a esta hermosa Ciudad en que nací.
© 2003 - GASTOHN
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